O que é vibe coding, sem jargão
Vibe coding é a prática de construir software conversando com uma inteligência artificial em linguagem natural, em vez de digitar código linha a linha. O termo ficou popular a partir de 2025 e descreve um jeito de trabalhar: você descreve a intenção ("quero uma tela onde o cliente escolhe o horário e recebe confirmação por WhatsApp"), a IA gera o código, você testa, aponta o que ficou errado e ela corrige.
Um ponto importante: vibe coding não é uma ferramenta. É um modo de operação. Você pode fazer vibe coding dentro do Cursor, do GitHub Copilot, do Codex da OpenAI, do Windsurf, do Lovable, do Bolt.new, do Replit Agent, do v0 ou de dezenas de outros produtos. Todos implementam o mesmo ciclo básico com interfaces diferentes.
Vale explicar dois termos que vão aparecer o tempo todo:
- Prompt: a instrução que você escreve para a IA. Quanto mais específica, melhor o resultado.
- Deploy: colocar o software no ar, num endereço que outras pessoas conseguem acessar. Escrever o código e publicar o código são etapas diferentes.
O ciclo de quatro etapas: descrever, gerar, testar, corrigir
Todo projeto feito com vibe coding gira no mesmo loop. Entender esse loop é mais útil do que decorar qual ferramenta é a melhor do mês.
1. Descrever
Você explica o que quer. A qualidade da descrição determina quase tudo. "Faz um site de agendamento" produz algo genérico. "Uma página onde o cliente vê os horários livres de segunda a sexta, das 8h às 18h, escolhe um, preenche nome e telefone, e o agendamento fica salvo" produz algo utilizável. Descreva regras de negócio, não estética.
2. Gerar
A IA produz os arquivos. Dependendo da ferramenta, isso aparece como código escrito na sua frente, como uma prévia visual da tela, ou as duas coisas. Ferramentas voltadas para não programadores (Lovable, Bolt.new, v0, Replit Agent) escondem boa parte do código e mostram o resultado visual. Ferramentas voltadas para desenvolvedores (Cursor, Codex, Windsurf, Aider) mostram o código e esperam que você saiba lê-lo.
3. Testar
Aqui a maioria das pessoas erra. Testar não é olhar a tela e achar bonita. É usar o software como um usuário mal-intencionado usaria: enviar formulário vazio, digitar texto onde se espera número, clicar duas vezes no botão de confirmar, entrar com o celular. É nesse momento que aparece a diferença entre "parece pronto" e "está pronto".
4. Corrigir
Você relata o problema e a IA ajusta. O relato precisa ser concreto: "não funciona" não ajuda. "Quando eu clico em confirmar sem preencher o telefone, a página fica em branco" resolve em uma rodada.
O ciclo se repete até o software fazer o que precisa. Um projeto pequeno pode fechar em algumas dezenas de rodadas. Um projeto com usuários reais, integração de pagamento e dados de clientes vai muito além disso.
Onde o vibe coding quebra na prática
Esta é a parte que quase ninguém conta. As falhas não são aleatórias, elas têm padrão.
O loop de correção que não converge
Você pede um ajuste, a IA corrige e quebra outra coisa. Você aponta a nova quebra, ela conserta e reintroduz a anterior. Isso acontece porque a IA não tem visão completa das interdependências do projeto conforme ele cresce. É o sintoma mais comum e o mais frustrante, porque cada rodada parece estar perto de resolver.
Código que funciona mas é inseguro
A IA otimiza para "funciona agora", não para "resiste a ataque". Coisas que passam despercebidas com frequência: senhas guardadas sem criptografia, chaves de API expostas no código que vai para o navegador, formulários sem validação no servidor, telas administrativas sem checagem de permissão. Nenhuma dessas falhas aparece quando você testa clicando na tela. Todas aparecem quando alguém com má intenção olha.
A parede dos 80%
Os primeiros 80% do projeto saem rápido e impressionam. Os últimos 20% — casos de exceção, integração com sistemas que já existem, comportamento sob volume de acesso, migração de dados antigos — consomem a maior parte do tempo real. Muita gente conclui que a IA "não funciona" ao bater nessa parede, quando na verdade essa parede sempre existiu no desenvolvimento de software; a IA só adiou o encontro com ela.
O custo que aparece depois
Ferramentas de vibe coding cobram por assinatura mensal ou por consumo (tokens, créditos, mensagens). Os planos de entrada normalmente ficam na faixa de algumas dezenas de reais por mês, e sobem conforme o uso, mas os valores mudam com frequência e variam muito entre produtos — confira sempre a página de preços atual. O custo esquecido é outro: hospedagem, banco de dados, domínio e serviços de envio de e-mail ou mensagem. O código gerado é só uma parte da conta.